Entre o Território e o Sofrimento
Racismo Ambiental e Saúde Mental da População Negra no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.55547/jrese.v4i1.43Palavras-chave:
Racismo Ambiental, População Negra, Saúde MentalResumo
O racismo ambiental, expressão contemporânea do racismo estrutural, manifesta-se na segregação territorial e na distribuição desigual dos impactos ambientais, afetando desproporcionalmente comunidades negras no Brasil. Este estudo teve como objetivo identificar e analisar as produções científicas que exploram a intersecção entre racismo ambiental e saúde mental da população negra no país. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura nas bases CAPES, LILACS, SciELO, PubMed e Scopus, no período de junho a julho de 2025, utilizando os descritores “Racismo Ambiental”, “Saúde Mental” e “População Negra”. Dos 45 estudos identificados, apenas quatro atenderam aos critérios de inclusão. Os resultados evidenciam que a literatura sobre o tema é escassa, concentrando-se em contextos de desastres ambientais, vulnerabilidade territorial e efeitos psicossociais, com destaque para quadros de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e impactos interseccionais de raça, gênero e classe. Observou-se que a interseccionalidade é apontada como chave interpretativa para compreender a complexidade do adoecimento mental decorrente do racismo ambiental, embora sua aplicação prática em políticas públicas ainda seja incipiente. A análise aponta lacunas significativas de pesquisa, especialmente quanto à integração entre a determinação social, a saúde mental, a justiça ambiental e a equidade racial. Conclui-se que o fortalecimento de abordagens interdisciplinares e racializadas é fundamental para enfrentar o racismo ambiental e promover saúde mental integral e democrática para a população negra no Brasil.
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